11/10/2014

Resenha: Battle Royale

Um grupo de jovens é deixado em uma ilha para lutar contra si,  pode parecer um "novo" jogos vorazes certo? Errado! Battle Royale foi lançado no Japão no ano de 1999, bem antes da história de Katniss Everdeen.

Preço: R$ 49,90
Autor: Koushun Takami
Editora: Globo Livros
Páginas: 663

Numa excursão de escola um grupo de 42 alunos (21 rapazes e 21 garotas) é selecionado para o projeto Battle Royale, que consiste em sortear uma turma de alguma escola de ensino fundamental e soltá-los em uma cidade inabitada e ilhada para que todos se matem, até que só sobre um estudante.

Para garantir que os jogadores não tentem escapar da ilha, todos recebem coleiras que ao detectar qualquer tentativa de fuga, ao serem retiradas a força e ao passar o tempo limite de jogo, explodem, além disso cada aluno recebe um kit com um mapa da ilha, uma arma sorteada aleatoriamente, água e alimento, para tentar sobreviver no jogo mais violento do mundo.

A trama é extremamente envolvente, o mais impressionante é ver como cada aluno reage de uma forma diferente aos jogos, alguns enlouquecem, outros confiam nos ex-colegas de sala (até demais) e alguns jogam violentamente, matando todos os que veem pela frente.

Cada capítulo é mais envolvente que o anterior, massacres, mortes acidentais, suicídios, Battle Royale mostra todo tipo de reação, o amor é esquecido, assim como a amizade, tudo que importa é a vida. Diferentemente de Jogos Vorazes em Battle Royale não temos apenas um ponto de vista, graças a isso a trama não é cansativa, pois se desenrola rapidamente enquanto novos personagens são apresentados, novos objetivos são inseridos e novas mortes ocorrem. Koushun Takami soube trazer para o leitor personagens tão realistas que acabamos nos afeiçoando a eles, só para vê-los sendo explodidos, esfaqueados, alvejados ou até decapitados.      

Mesmo tendo uma grande quantidade de páginas a obra consegue entreter de uma forma impressionante, o livro contém grandes críticas aos governos autoritaristas e ao Japão em si. No final de cada capítulo há uma contagem de sobreviventes, isso ajuda o leitor que não tem que ficar contando as vítimas, apenas precisa saborear a trama em cada detalhe. O maior defeito é com certeza a grande quantidade de personagens, como se passa no Japão os nomes são bem complexos e difíceis de memorizar, mas isso não tira o mérito de uma trama muito inteligente e divertida.

A Globo Livros caprichou no acabamento do livro, a capa é linda, possui detalhes em alto relevo como os nomes de alguns dos 42 alunos, o mapa da ilha onde os jogos acontecem e os quadrantes que passam a ser proibidos com o tempo de competição. 

Um dos melhores livros que já li em toda minha trajetória literária, Battle Royale é (altamente) indicado para quem gosta de personagens bem desenvolvidos e críticas governamentais e mostra que para sobreviver o ser humano é capaz de tudo.



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