03/04/2015

Resenha: Sr. Mercedes

Você conhece algum psicopata? Provavelmente sim e o pior, é que você não faz ideia do que eles são capazes. Manipuladores, mentirosos, bonitos, inteligentes e violentos, os psicopatas sempre cativaram muitos, tanto no universo ficcional como na realidade. Quem não lembra do inteligente Norman Bates que iniciou uma nova era na indústria cinematográfica? Ou do esperto Dexter Morgan, do violento Michael Myers, do assustador Hannibal Lecter e do severo Jigsaw? Todos esses têm uma coisa em comum, causam calafrios em qualquer um.

 Em Mr. Mercedes, Stephen King cria um psicopata inteligentíssimo, violento e extremamente manipulador que causa um atentado violento e sai impune.

Era 10 de abril de 2009, logo no começo do dia, várias pessoas se aglomeravam em uma rua interditada, acontecia um projeto da prefeitura para reduzir a taxa de desempregados oferecendo 1000 vagas de trabalho, mas naquela manhã, uma criatura sombria tinha planos muito mais sangrentos.

Enquanto os desempregados aguardavam a abertura dos portões um motor rugiu ao longe e um Mercedes Benz cinzento acelerou em direção  ao grupo de pessoas, corpos foram arremessados, membros foram separados de seus respectivos corpos, pessoas foram amassadas pelo peso do veículo e o atropelador fugiu, levando consigo o Mercedes ensanguentado.

Anos depois do atentado o ex-detetive Kermit William Hodges pensa em cometer suicídio, sua aposentadoria o fez cogitar o ato várias vezes, a rotina do aposentado  é extremamente entediante até que Kermit recebe uma carta do assassino do Mercedes, esse simples papel traz novas lembranças à ele que decide resolver o caso mais sangrento de todos. O Senhor Mercedes é Brady Hartsfield, um jovem inteligente que passou por muito, ele mantém um relacionamento incestuoso com sua mãe, uma alcoólatra, desempregada e preguiçosa, o rapaz trabalha em uma loja de assistência técnica de computadores e é sorveteiro.

O livro é surpreendente, o gênero policial é geralmente abarrotado de clichês, mas (felizmente) Mr. Mercedes foge a regra e mostra que Stephen King pode escrever qualquer gênero e mesmo assim tirar o fôlego dos leitores. Kermit é um protagonista muito lógico, seu raciocínio rápido acompanha a trama e dá uma nova imagem de protagonista, mas como ninguém é perfeito, o que o policial ganha em agilidade mental, perde em agilidade física. Hodges já é velho e por isso, não consegue acompanhar as "cenas" de ação.


O universo de Mr. Mercedes não possui tantos personagens como a maioria dos livros de King, mas os que estão presentes na trama tem uma importância extrema que com certeza aparecerá futuramente. O livro apresenta uma premissa intrigante e capítulos de tirar o fôlego do leitor. Inteligente e bem escrito, Mr.Mercedes irá te deixar paranoico.Cuidado! Um psicopata pode estar em qualquer lugar, inclusive dentro de você!


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