22/09/2015

Resenha: Galveston

Escrito pelo criador, produtor executivo, showrunner e roteirista de True Detective, Galveston é um romance intensamente deturpado onde os valores atribuídos as decisões tomadas na vida são questionados e que reflete sobre morte, depressão, doenças e traumas.

Roy sempre viveu de forma violenta. Sua trajetória é marcada por relacionamentos conturbados, assassinatos, violência e criminalidade, até que um câncer chega e muda toda a história do bandido. No mesmo dia em que descobre a provável razão de sua morte, Roy é mandado  para uma missão suicida, mas consegue eliminar os assassinos contratados e acaba fugindo do local, levando consigo uma prostituta abalada pelos acontecimentos da noite.

A escrita de Nic Pizzolato é recheada de metáforas, em alguns momentos  o autor acerta na inclusão delas, mas é muito comum observar incersões desnecessárias e que não adicionam muito ao enredo. Pizzolato consegue criar um protagonista ruim, que tem convicção de suas atitudes e que não se alegra constantemente. No livro também é possível notar uma transição entre passado e presente, com o passar das páginas o autor explana os acontecimentos ocorridos e suas influências na atualidade, isso cria um vínculo maior com os
personagens, pois o leitor pode conhecer suas histórias.

Não espere por personagens sorridentes, apaixonados e otimistas. Galveston é cercado por uma atmosfera extremamente pesada que é transmitida para seus personagens. Todos eles são traumatizados, perturbados, pessimistas, violentos, etc. Essas personalidades são reflexos de acontecimentos passados

Mesmo acertando no tom obscuro, Pizzolato erra em um dos pontos cruciais da obra, a previsibilidade. O leitor consegue desvendar os acontecimentos futuros com a maior facilidade e mais de uma vez. Isso atrapalha a experiência e desestimula a leitura da obra. Os acontecimentos finais são deixados em aberto pelo escritor, isso além de frustrar o leitor, ainda deixa uma ideia de dúvida sobre o destino dos personagens.

Mesmo com vários defeitos, Galveston é um livro que merece sua atenção, pela profundidade que a história toma em suas 235 páginas, a leitura é rápida, mas cheia de mensagens sobre lutas, esquecer transtornos passados e seguir em frente mesmo que seja complicado.


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