22/02/2016

Quem foi Hugh Glass?

No dia 28/02 teremos um dos eventos mais aguardos do ano, a cerimônia de premiação do Oscar. Aproveitando os embalos da festa que está chegando, nós do R faremos uma semana dedicada ao fascinante “O Regresso” (O filme com mais indicações nessa edição do Oscar) que narra a história de Hugh Glass, iremos analisar o homem por trás da história, o filme, o livro, diremos nossas expectativas para a premiação e muito mais, não perca os posts dessa semana e #AgoraVaiLeo!

*O livro O Regresso é uma releitura dos acontecimentos que marcaram a vida de Hugh Glass, logo, o texto abaixo pode conter spoilers do filme de Leonardo DiCaprio e do livro de Michael Punke.


É impossível definir Hugh Glass sem usar a palavra, sobrevivência. Glass foi e até hoje é uma lenda americana, sua luta incessante pela vida já foi adaptada no cinema e na literatura de diversas formas, mas hoje, aqui no R, você conhecerá o verdadeiro Hugh Glass e descobrirá por que esse homem fascinou tantas pessoas com sua história de bravura e perseverança.

Acredita-se que Hugh Glass foi um pirata que trocou os mares por florestas e caças. Além de ser um caçador extremamente experiente, Glass também foi um dos “100 de Ashley” (Grupo de 100 homens liderado pelo General William Ashley que teve como objetivo subir o rio Missouri.). Durante a expedição, Glass e seus companheiros foram atacados por índios Arikaras. Posteriormente Glass partiu em uma expedição de 13 homens comandada por Andrew Heny, o foco do grupo era atravessar Missouri, Dakota do Sul e finalmente cruzar o vale do rio Yellowstone.

Em agosto de 1823 enquanto andava sozinho, Glass foi surpreendido por um urso e seus filhotes, o urso atacou-o e Hugh Glass matou o urso usando apenas uma faca de caça (outras fontes alegam que Glass não matou o urso, mas deixou-o gravemente ferido), mas no combate com o urso, Glass foi mutilado, teve uma perna quebrada e ficou completamente debilitado.

Quando os colegas de expedição finalmente alcançaram Glass, encontraram-no ferido, mas vivo, (a teoria citada no parágrafo acima diz que os colegas de Hugh mataram o urso que estava fraco) retiraram o urso de cima do companheiro e limparam os ferimentos de Glass, mas sem muita expectativa que ele fosse sobreviver. O líder do grupo Andrew Henry, indicou dois homens para ficar com Glass até sua morte enquanto o resto da expedição seguiria até Yellowstone. John Fitzgerald e Jim Bridger cavaram um buraco para enterrar Hugh Glass e aguardaram, mas dias se passaram e o caçador, mesmo debilitado, ainda resistia ao destino aparentemente inevitável.
Monumento em homenagem a Hug Glass

Depois de alguns dias Fitzgerald e Bridger decidiram abandonar Glass, pois temiam ataques de tribos indígenas que estavam próximas. Depois de pegarem o armamento e os equipamentos indispensáveis para a sobrevivência de Hugh Glass, os dois jogaram-no em um buraco que haviam cavado e cobriram seu corpo com a pele do urso que deixara o caçador naquele estado. Glass foi deixado para morrer, mas sobreviveu.

Após um tempo Hugh Glass acordou e começou sua jornada pela sobrevivência, as condições eram adversas, seu corpo estava mutilado, uma de suas pernas estava quebrada, ele jazia em um território abarrotado de indígenas hostis e para sobreviver ele precisaria percorrer mais de 300 quilômetros para alcançar o Forte Kiowa, onde poderia conseguir ajuda, até lá, estaria completamente sozinho. 

No dia 9 de setembro de 1823, Hugh Glass iniciou a improvável jornada em direção ao Forte Kiowa, sendo regularmente acometido por febres e desmaios, Glass rastejou por 100 quilômetros até alcançar o rio Cheyenne. Acredita-se que a experiência que Glass possuía salvou sua vida várias vezes, mas a sorte também impediu sua morte, segundo uma lenda, quando o caçador estava inconsciente, teve suas feridas lambidas por um urso que logo após partiu. Acredita-se que as lambidas do animal salvaram o caçador, pois evitaram infecções seríssimas. Movido pela sede de vingança e pelo instinto de sobrevivência Glass lutou contra animais selvagens, comeu carne crua e rastejou por mais de um mês, só para matar aqueles que o haviam abandonado.

Quando finalmente alcançou o rio Cheyenne, Glass usou de seus conhecimentos para construir uma balsa para carregá-lo até o Missouri, no percurso o caçador recebeu auxílio de uma tribo indígena amigável que cuidou de seus ferimentos e forneceu alguns recursos necessários para sobrevivência. Após uma longa jornada, Hugh Glass alcançou o Forte Kiowa, onde recebeu cuidados médicos.

Cada vez mais próximo da desejada vingança, Glass encontrou o jovem Bridger em uma comemoração de Ano Novo no Forte Henry, mesmo tomado por arrependimento, Bridger não pediu misericórdia, por acreditar que merecia a morte. Ao ver sua postura, Glass poupou a vida do garoto, perdoando-o pelo seu abandono. Seis meses depois Glass encontrou John Fitzgerald, mas não pode concretizar sua vingança, pois Fitzgerald havia se juntado ao exército. O capitão de Fizgerald restituiu os itens roubados de Glass, que partiu.

Glass foi assassinado no ano de 1833, dez anos depois da história que deixou-o mundialmente famoso. Sua batalha pela sobrevivência mostra o valor da superação, da coragem, mas acima de tudo do perdão. Glass é um ícone e um exemplo não só por lutar com um urso, mas pela sua constante batalha contra as adversidades, suas fraquezas e seus medos.

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