29/02/2016

Resenha: O Regresso

Escrito por Michael Punke, O Regresso é uma adaptação literária dos acontecimentos reais da vida de Hugh Glass. Vale relembrar que o livro também é fonte para a produção cinematográfica homônima, líder de indicações do Oscar 2016 e ganhadora de três estatuetas.

Preço: 39,90
Autor: Michael Punke
Editora: Intrínseca
Páginas: 272

Uma companhia de peles desbravando as regiões mais inóspitas e hostis do território americano no século XIX é surpreendida por um ataque da tribo indígena Arikara. Depois de escapar com poucos membros vivos, o grupo sofre mais um ataque, mas das forças da natureza, Hugh Glass (o rastreador do grupo) é ferido por uma ursa, tem seu pé quebrado, garganta quase completamente dilacerada, couro cabeludo arrancado e costas rasgadas pelas garras da fera. Jim Bridger e John Fitzgerald se voluntariam para permanecer com Glass até sua morte e em seguida alcançar o resto do grupo. Porém com o passar dos dias Hugh Glass mantém-se vivo e os dois colegas decidem abandoná-lo, levando consigo tudo que o homem moribundo poderia usar para sobreviver. Glass se vê desarmado, ferido, com frio, mas vivo.

Confesso que antes de assistir a adaptação cinematográfica estrelada por Leonardo DiCaprio, já tinha me interessado pela temática dessa obra, mas quando conheci a vida do verdadeiro Hugh Glass fiquei completamente intrigado em como o autor Michael Punke consegue juntar lendas e suas ideias das batalhas pela sobrevivência de forma convincente. O autor explora os conhecimentos, preconceitos e o contexto histórico do século XIX de forma inteligentíssima, a todo momento vemos como a população indígena era vista pelo homem branco e vice-versa.

A escrita de Punke é dinâmica, forte e visceral. Os capítulos são curtos e cheios de açăo ou de lutas por sobrevivência seja contra lobos, índios ou contra a própria natureza. O autor explora os momentos desagradáveis que se abatem sobre Glass de maneira realista que coloca o leitor no lugar do personagem causando angústia e empatia com o protagonista.

 O maior e único erro de O Regresso é o seu clímax, mas não podemos julgar, pois o mesmo é fato real e seria desleal por parte do autor alterar esses acontecimentos. Além de representar uma obra estupenda, o livro de Punke tem o dever de explorar os acontecimentos dos colegas de companhia de Glass, depois da história do companheiro. Isso dá mais credibilidade a obra e deixa o leitor ainda mais interessado na vida fascinante de Hugh Glass.

Um livro pesado, violento e realista. O Regresso é uma obra cheia de reflexões sobre a vida, sobrevivência e o ódio que muitas vezes atribuímos a alguém, Punke consegue perpetuar um pensamento esperançoso na obra que com certeza é um marco para a literatura internacional.



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