13/09/2016

Resenha: Eu Sou o Peregrino


Uma ameaça terrorista criada para destruir uma das maiores potências do mundo, um detetive extremamente habilidoso, uma sucessão de mortes incomuns espalhadas pelo planeta, pode parecer um roteiro da maioria dos filmes do Bruce Willis ou do Daniel Craig, mas é só a sinopse de Eu Sou o Peregrino, uma obra frenética e de tirar o fôlego

Preço: R$ 59,90
Autor: Terry Hayes
Editora: Intrínseca
Páginas: 685

O Peregrino fora um grande agente, mas seus dias de espionagem acabaram, ou pelo menos era o que ele imaginava...
Após anos sem se envolver em qualquer investigação, ele recebe o chamado de um velho amigo para um quarto de hotel. Lá ele encontra evidências de um crime quase perfeito. O assassino foi meticuloso no processo e o Peregrino sabe onde ele conseguiu toda a experiência em esconder rastros. Em um livro escrito pelo próprio Peregrino. Subitamente, o investigador se vê envolvido em uma caçada eletrizante que pode determinar o futuro dos Estados Unidos da América e salvar milhares de vidas inocentes.

Terry Hayes estreia no ramo literário em grande estilo com Eu Sou o Peregrino. A obra teve uma recepção surpreendente e já existem projetos de adaptações, isso se deve ao fato de que o livro possui uma trama dinâmica, com momentos viscerais e muitos mistérios inteligentes. Peregrino e seu antagonista Sarraceno são brilhantes e a trama altera os pontos de vista dos dois, criando um elo maior com o leitor (em alguns momentos é possível torcer para o vilão!).

O tamanho do livro pode intimidar um pouco, a obra possui quase 700 páginas, mas além de ser uma leitura veloz, a trama desenvolve-se perfeitamente, com flashbacks que ajudam a inserir o leitor no contexto e nas motivações de cada personagem. O estilo da obra lembra os filmes de James Bond, mas o Peregrino é muito mais realista, suas ações são meticulosas, o personagem observa tudo (ABSOLUTAMENTE TUDO) e usa as informações que consegue em seu favor.

O livro é tão realístico que mistura alguns acontecimentos históricos com teorias e invenções do próprio autor. As cenas de ação são brilhantes, Terry Hayes consegue inserir o leitor em uma atmosfera de tensão e fazê-lo torcer para que Sarraceno (o vilão) consiga escapar, para poder realmente entender os planos dele. A obra também acerta ao inserir o leitor em países e mostrar (mesmo que minimamente) um pouco da cultura, hábitos e problemas dessas nações.

Visceral, frenético, inteligente e extremamente intrigante, Eu Sou o Peregrino é um dos melhores romances de estreia que já li. Terry Hayes cria um mundo perigoso e cruel, mas também desenvolve personagens que lutam por aqueles que mais precisam. O realismo da obra é surpreendente, os personagens possuem conflitos críveis e representam tudo de bom e de ruim que existe na humanidade, as motivações do vilão são compreensíveis e até fazem o público se afeiçoar um pouco.


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