16/10/2016

Dupla Psicose [ESPECIAL HALLOWEEN]


Quando Alfred Hitchcock lançou Psicose, provavelmente não imaginava o quão icônico o longa se tornaria no terror e na cultura pop. Adaptação do romance de Robert Bloch, a história contém tudo que faz um bom suspense e  envelheceu muito bem, não devendo nada para obras atuais de mistérios e terror. Nesse post, compararemos as duas obras, mostrando as principais diferenças e qual das duas é melhor ao retratar a história do misterioso Motel Bates

A história começa quando a bela Marion Crane (Mary, no livro) decide roubar 40.000 dólares de seu chefe e fugir para encontrar Sam Loomis, o amor de sua vida. Tudo parece estar correndo bem, até que uma chuva forte faz a garota parar no Motel Bates, lugar onde sua vida mudará inteiramente. O motel é administrado por Norman Bates, um homem incomum com alguns hábitos estranhos. O que Marion não suspeita, é que existe um perigo no humilde motel dos Bates e que essa estada pode ser a última de sua vida.

O embate entre as duas versões da trama será baseado em alguns aspectos:
Tensão;
Norman Bates;
Personagens;
Imersão;

 1- Tensão:
As sinopses das versões da história são idênticas, assim como a maioria dos acontecimentos. No 
entanto, o começo da trama é muito mais intenso na versão de Hitchcock, o diretor insere uma espécie de "perseguição policial" que faz o espectador torcer muito para que Marion escape. Na versão literária, o autor faz uma fuga mais monótona, mas acerta ao colocar os pensamentos, medos, planos e a culpa de Mary, desenvolvendo a personagem logo no início da história e criando um vínculo entre o leitor e Marion, vínculo que se transforma em medo, quando a vida da personagem está em risco.
Ponto para: Psicose (Livro) e Psicose (Filme)

2- Norman Bates
A caracterização do icônico Norman Bates do filme foi completamente diferente da feita na obra de Bloch. O Norman de Hitchcock foi interpretado pelo talentosíssimo Antony Perkins. O ator entregou uma atuação digna do personagem emblemático (e um pouco perturbador), mesmo sendo visualmente diferente da descrição do Norman de Bloch, é impossível não lembrar de Perkins durante a leitura. 
Ponto para: Psicose (Filme)

3- Personagens
Os personagens criados por Bloch são profundos. Escondem segredos, medos e características marcantes, infelizmente, a representação da maioria deles foi fraca e superficial na versão de Hitchcock. Apenas Marion (Mary) e Norman agradam na adaptação cinematográfica, os outros personagens acabam sendo rasos e completamente esquecíveis. Sam Loomis por exemplo, luta para manter a loja da família na versão literária, detalhe que foi ignorado no filme. Podem parecer informações irrelevantes, mas essas edições dificultam o apego aos personagens, deixando algumas cenas monótonas e desinteressantes.
Ponto para: Psicose (Livro)

4- Imersão
Ambas as obras possuem seus pontos positivos no quesito imersão, o filme possui a trilha sonora memorável e a cena clássica do chuveiro! Já o livro usa de uma violência que não poderia ser inserida nos cinemas na época, a versão literária também tem mais tempo para descrever o desfecho da trama e a análise psicológica da pessoa por trás das mortes. Bloch também merece pontuações por mencionar o acontecimento real que inspirou a trama criando um paralelo com a realidade a aumentando ainda mais a imersão do leitor.
Ponto para: Psicose (Livro)

Conclusão: Mesmo sendo um clássico do cinema e um ícone do terror, Psicose funciona muito melhor como livro. A trama possui acontecimentos fortíssimos que foram amenizados na versão cinematográfica, alguns personagens brilhantes de Bloch foram subaproveitados no filme e a impossibilidade do espectador conhecer os pensamentos dos personagens fez com que muitas informações úteis fossem deixadas de lado.
Vitória do livro de Robert Bloch!

Preço: R$ 31,90 (Brochura) e 47,90 (Capa dura)
Autor: Robert Bloch
Editora: Darkside Books
Páginas: 240

Nota do livro



 


Dirigido por: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles e John Gavin.
Duração: 1h 49min 
Ano de Lançamento: 1960

Mesmo perdendo para o livro, o filme Psicose merece cinco estrelas por adaptar de forma excepcional a obra de Bloch, entendemos que muitos aspectos do livro foram retirados, pois algumas coisas que funcionam na literatura, podem não funcionar no cinema.

Nota do filme


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