10/09/2017

Resenha - Deuses Americanos

Após passar três anos preso, Shadow finalmente se vê livre, mas recebe uma notícia que altera completamente o rumo de sua vida. Desolado e desorientado, ele conhece o excêntrico Wednesday, um homem misterioso e astuto que convida-o para uma jornada cheia de questionamentos e conta-o que divindades das mitos antigos existem e que estão entrando em decadência por causa de inimigos novos e mais poderosos.

A edição lançada pela Intrínseca contém extras como depoimentos de Gaiman sobre a escrita, cenas adicionais, personagens que não apareceram na versão final e a transcrição de uma entrevista com o autor.

Preço: R$ 59,90
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 576

Mesmo sendo premiadíssima e tida como um clássico por vários leitores, Deuses Americanos é um divisor de águas quando se trata de avaliações. Isso foi um dos aspectos mais chamativos para mim, me questionava a razão da divergência de opiniões e após lê-lo completamente, posso dizer que ainda busco a resposta. 

A obra de Gaiman é claramente pretensiosa, contém algumas falhas, principalmente no quesito do ritmo, a trama começa de forma dinâmica, alguns capítulos depois cai em uma repetição de acontecimentos desinteressantes, para voltar com tudo no desfecho, algo que dificultou minha leitura e até me manteve afastado do livro por alguns dias. Os capítulos Vinda à América quebram alguns dos momentos cansativos da trama e inserem histórias breves sobre a chegada de imigrantes e das divindades trazidas por eles.

Mesmo que o ritmo dos acontecimentos possa atrapalhar a leitura, o misticismo e a escrita de Gaiman estimulam o leitor a continuar. Gaiman não dá respostas óbvias, é preciso prestar atenção nos detalhes para descobrir quem são as divindades apresentadas na história e de qual mitologia elas são provenientes. Isso garante um tom de "mistério" que norteia toda história e mantém o interesse dos leitores mais curiosos (como eu).  Além disso, o autor insere subtramas que atraem mais do que a própria trama principal e personagens marcantes por todas elas. Outro defeito da obra é o protagonista, Shadow é de longe o personagem mais desinteressante da trama, isso é discutido pelos próprios personagens em alguns momentos, mas mesmo sendo intencional, isso ainda prejudica a leitura em diversos momentos.

Mesmo com os defeitos mencionados, Deuses Americanos ainda é uma obra-prima, Gaiman tem uma escrita marcante e consegue desenvolver aspectos místicos convivendo com acontecimentos rotineiros da vida humana (algo que me lembrou da escrita de Stephen King), os personagens são memoráveis e únicos, com características fortes e passados misteriosos. Gaiman complementa a falta de carisma do protagonista com coadjuvantes tão interessantes, que o leitor continua pensando neles após a conclusão da leitura, podemos destacar o deus Anansi, Laura Moon e obviamente, Wednesday.

Complexo, interessante e intrigante, Deuses Americanos é uma obra que discute a xenofobia, humaniza imigrantes e refugiados, algo que é extremamente necessário para os estadunidenses quando o próprio presidente dissemina preconceitos. A história é densa, memorável e recheada de personagens fascinantes que merecem um pouco de sua atenção. Recomendada para fãs de Neil Gaiman, pessoas que gostam de ler sobre mitologias, deuses e misticismo. Também é indicada para aqueles que ficaram órfãos de Percy Jackson e buscam uma visão mais madura dos mitos clássicos.

Deuses Americanos foi adaptado para as televisões em abril de 2017, a série concluiu sua primeira temporada, foi renovada para a segunda e é distribuída internacionalmente pelo serviço de streaming da Amazon.





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